
O presidente Luiz Inacio Lula da Silva (PT) assinou na quarta -feira (12) a medida provisória que cria o “crédito do trabalhador”. O programa busca expandir a oferta de empréstimo da folha de pagamento, com desconto em folhas, para trabalhadores de iniciativa privada governados pela consolidação das leis trabalhistas (CLT).
A medida também tem como alvo o público específico, como empregadas domésticas e trabalhadores rurais com um contrato formal, assim como a MEIS.
Com o programa, os trabalhadores da iniciativa terão acesso a taxas de juros mais baixas do que o crédito pessoal convencional. Com isso, o profissional pode – por exemplo – trocar uma dívida cara por um mais barato. As condições são mais vantajosas em comparação com o crédito pessoal, porque o desconto do salário oferece ao banco qualquer garantia de que a dívida seja paga.
Atualmente, a taxa média de empréstimos para folha de pagamento do setor privado é de 40,8% ao ano. Empréstimos sem garantias, como crédito pessoal, por exemplo, tem taxas acima de 103% ao ano, em média.
O governo pretende, portanto, estimular o crescimento econômico por meio de crédito, em um momento em que a economia dá sinais de desaceleração. Consequentemente, ele quer reduzir a desaprovação de Lula nas pesquisas com o eleitorado.
Embora a estimulação do crédito possa alavancar a economia, ela também é vista como um risco. A percepção do Banco Central e dos analistas é que a economia brasileira está superaquecida, crescendo acima de sua capacidade, o que pressiona a inflação.
É para conter o avanço dos preços que o Banco Central elevou a taxa de juros básica (Selic) – que atingiu 13,25% ao ano e, de acordo com a própria BC, tende a aumentar mais 1 ponto percentual na próxima semana.
Nesse contexto, a criação de um empréstimo de juros mais baixo, além de dar o “poder” de Selic ao “poder” e pode forçar o BC a aumentar ainda mais a taxa básica, para que tenha o efeito desejado.
Como o trabalhador da CLT fará a solicitação da folha de pagamento
Profissionais privados poderão usar seu cartão de trabalho digital para obter acesso a empréstimos mais baratos com a garantia do FGTS. A solicitação de proposta de crédito deve ser feita através do aplicativo de cartão de trabalho digital diretamente às instituições financeiras qualificadas pelo governo. Estima -se que mais de 80 instituições financeiras possam conceder empréstimos.
O profissional autorizará o acesso a dados como nome, número do Seguro Social, margem de salário disponível para consignação e tempo comercial, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A partir daí, os bancos devem enviar suas propostas às 24 horas para análise de trabalhadores e contratação no canal do banco.
O trabalhador pode usar até 10% do saldo no FGTS para garantir o empréstimo e 100% da multa de rescisão em caso de demissão.
Como o desconto do salário vai
O desconto de parcelamento será diretamente na folha de salário, mensalmente pelo ESOCIAL. O sistema foi desenvolvido pela DataPrev, uma empresa de tecnologia pública do governo federal, integrando o cartão de trabalho digital, o FGTS Digital e o Esocial. Após a contratação, o trabalhador segue mês a mês, as atualizações de pagamento das parcelas.
Quando a nova folha de pagamento para CLT começa
Com a publicação do MP, o sistema entrará em operação por bancos oficiais e privados a partir de 21 de março. Aqueles que já têm a folha de pagamento ativa podem migrar para a nova linha de 25 de abril de 2025. A contratação direta pelos canais eletrônicos dos bancos também pode ser feita a partir dessa data. A portabilidade entre os bancos pode ser realizada a partir de 6 de junho.
O que acontece em caso de demissão?
Em caso de desligamento, o desconto será aplicado ao pagamento de indenização, observando o limite legal.
Como o crédito direto do consumidor migrará?
O trabalhador que possui contrato de empréstimo do tipo CDC deve procurar uma instituição financeira qualificada se quiser migrar para o crédito do trabalhador.
Se eu já tenho uma folha de pagamento, posso migrar?
Os trabalhadores que já possuem empréstimos com desconto de folhas podem migrar o contrato existente para o novo modelo a partir de 25 de abril deste ano.
O novo programa substitui o NIVERSÁRIO FGTS?
Não. O ano permanecerá em vigor.
Qual é a diferença no empréstimo da folha de pagamento que já existe?
A folha de pagamento é amplamente utilizada por servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS. Mas no setor privado, o escopo do empréstimo com desconto de folhas é menor, pois depende de acordos entre bancos e empregadores. Isso se limita a uma parte dos trabalhadores da CLT que podem obter esse tipo de crédito.
A medida expande o acesso, sem a necessidade de negociações entre empresas e bancos, através da integração de informações via Esocial – um sistema no qual os empregadores registram informações de impostos, trabalhistas e seguridade social.
Qual é o escopo do programa em crédito?
Hoje, o país possui 47 milhões de trabalhadores formais, incluindo 2,2 milhões de trabalhadores domésticos, quatro milhões de trabalhadores rurais, bem como funcionários de mel, que agora estão excluídos da remessa particular.
De acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febbraban), estima -se que, até quatro anos, cerca de 19 milhões de cetistas optem por consignar salários, que podem representar mais de US $ 120 bilhões em empréstimos contratados.
Hoje, o saldo deste portfólio de crédito é de pouco menos de US $ 40 bilhões, bem abaixo dos valores emprestados a funcionários públicos e aposentados e aposentados do INSS.

Dr. Marcelo Suave, Advogado e comentarista politico, casado, pai de uma linda filha, atua na área de familia e sucessão.